segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Segredos do coração

O que realmente importa na sua vida? Eu sempre tive certeza que estava levando a minha vida para onde eu queria, e que isso seria o certo para mim. Estou começando a duvidar disso.
Eu cresci na fazenda, meu pai tomava conta dos negócios do vovô, tive uma adolescência muito complicada, com muitos problemas de saúde, minha mãe queria me proteger de tudo e sofreu muito, eu era  rebelde e dei muito trabalho. Meus pais adotaram meu irmão quando eu tinha 10 anos, eles achavam que eu era individualista e precisava aprender a dividir a atenção com alguém, e quando o Tayler chegou eu o amei no primeiro dia, um pirralho de dois anos moreninho de olhos pretos.  Depois do ensino médio me mudei para a capital para fazer faculdade e dei um gelo na minha família, eu queria ser independente, ter minha vida e esquecer a rebeldia e os tratamentos que havia passado, eu sei que eles sentem muito a minha falta principalmente o meu irmão e minha mãe, meu pai é mais durão, costumo visitá-los duas ou três vezes por ano. Atualmente eu escrevo uma coluna no jornal e estou matriculada no mestrado em Publicidade. Eu queria esse curso com todas as minhas forças, mas a vida no meio acadêmico é muito complicada, eu terminei as disciplinas do curso no fim do ano passado, estou no meio da dissertação para a conclusão do curso, e essa fase é muito triste e solitária preciso de ler muito, produzir muito também, e sempre que envio para orientação só recebo críticas na devolutiva e nenhum incentivo, estou desmotivada, penso em desistir, mas penso e todo dinheiro que já gastei com isso, e em como vou me sentir daqui uns anos, sempre vou pensar em como teria sido se não tivesse desistido, mas a verdade é que não sei se isso realmente importa. Estou sozinha na capital, apenas alguns poucos colegas de trabalho, e alguns colegas do Mestrado. Eu me sinto deprimida na maior parte dos dias, como se estivesse caindo, sem luz, ninguém para me segurar, não há motivos para sorrir, por mais que todos me dizem que eu tenho tudo, eu não tenho nada, pois me falta o mais importante, os motivos para sorrir, resta apenas uma chama dizendo ‘siga em frente”, estou vivendo em modo automático, quero apenas chorar, chorar e chorar, eu sei que falta alguma coisa, e pensei que seria algo na minha carreira por isso optei por fazer o curso mas agora vejo que não era isso, eu afasto as pessoas, sou grossa, chata e não tolero as falsas idealizações de amizade que existem hoje em dia. Falta-me algo melhor, que possa me deixar realmente feliz. Falta-me um grande amor!

Rosi Monteiro

domingo, 20 de novembro de 2016

Mais amor, por favor!

Porque há guerras, brigas e desentendimentos?
A vida já é tão complexa e triste, há tantos acidentes, desastres naturais e doenças provocando mal e tristeza na humanidade.
A morte existe e passeia entre nós o tempo todo, apenas o tempo pode nos mostrar quão perto ela está de cada um. Independente de gênero, raça ou religião, o impacto é o mesmo, a dor e angústia sempre aparecerá nos olhos de quem perde. O mundo seria muito melhor se pudesse amadurecer e compreender, se abrisse o coração para o amor e para a paz.
Porque é tão difícil aceitar as pessoas como elas são? Porque é tão difícil amar?
Se fossemos todos iguais a vida seria monótona e chata.
Faça sua parte, abra o coração.
Mais amor por favor!
Rosi Monteiro


domingo, 13 de novembro de 2016

Ser livre...

O que é ser livre? Ter o direito de escolha?

Martha Medeiros disse uma vez que a independência nada mais é do que ter poder de escolha. Conceder-se a liberdade de ir e vir atendendo suas necessidades e vontades próprias, mas sem dispensar a magia de se viver um grande amor. Independência não é sinônimo de solidão. É sinônimo de honestidade: estou onde quero, com quem quero e porque quero.
Mas Pablo Neruda, esclarece que você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências.
Um amigo disse uma vez que a liberdade não existe, é apenas uma palavra que usamos para justificar nossas ações. “Eu sou livre para…” Estou livre de…”
Entendo então, que a escolha é frequentemente confundida com liberdade, mas escolher não significa ser livre.

Rosi Monteiro

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A voz do silêncio

Eu gosto de quando todos estão dormindo, há um silêncio absoluto, é muito melhor quando não tem ninguém por perto.
Lembro-me a primeira vez que ouvi as vozes, eu estava sozinho em casa, cursava o último ano do ensino médio, e estava pesquisando sobre os cursos de graduação, eu não me encaixava em nenhum, todos envolviam pessoas, falar com pessoas, escrever sobre pessoas, convencer pessoas, e eu queria algo que pudesse fazer sozinho, sem ter que pensar em mais ninguém, e então eu ouvi:
— Você não precisa deles!
Achei que tinha mais alguém em casa, procurei por todos os cômodos e não encontrei ninguém. Hoje as vozes são tudo o que eu tenho, elas me compreendem, me apóiam, e me incentivam a seguir em frente, mas há muito barulho aqui, o que pensam que estão fazendo com todo esse barulho, as vozes querem silêncio, elas estão me pedindo para silenciá-los, mas não sei como fazer isso.
— Você precisa silenciá-los!
— Não, eu não posso.  — Afirmo.
— Sim, você pode! — Elas insistem.
— Como vou fazer isso?  — Pergunto.
— Você sabe como!
Eu realmente sei o que fazer, saio do meu quarto e vou para o quarto do meu pai, eu sei que ele guarda seu revólver na segunda gaveta do lado direito do guarda roupa. Não está carregada, mas acesso um vídeo no Youtube que explica exatamente o que preciso fazer. Exatamente às quinze horas da tarde estou pronto para silenciá-los, as vozes continuam me motivando.
— Você precisa silenciá-los, precisa ajudá-los a encontrar o caminho da luz. Nós confiamos em você.
— Eu consigo, eu vou ajudá-los.
Às quinze horas e vinte minutos estou pronto, passo pelo portão com facilidade sem ninguém para me impedir, as vozes me dizem para escolher a última sala a esquerda, pois o barulho maior alí, eu posso ouvi-los também, eles precisam de encontrar a luz, eu abro a porta e atiro…
— Ele tem uma arma!
— Abaixem!
— Socorrooo...minha perna.
— Alguém me ajuda…
— Meu braço, ele atirou no meu braço.
— A professora caiu!
— Alguém me ajuda….
As vozes continuam reclamando.
— Atire em todos! Você pode fazer isso, precisa salvá-los.
Há uma mina vermelha no chão, está alagando a sala toda, estou com medo, com muito medo, tem muito barulho, e não entendo o que as vozes estão dizendo, tem muito sangue aqui, eu tenho medo de sangue, há muito barulho lá fora, eu não consigo entender o que as vozes dizem, ouço barulho de carro de polícia, meu coração dispara, as crianças estão mortas, eu tenho medo de pessoas mortas, o corredor está vazio, tenho sair daqui, não consigo me movimentar, minhas pernas não me obedecem, eu matei todas essas crianças, as vozes não falaram que elas morreriam, meu coração está disparado, minhas mãos tremem, eu só tenho uma coisa a fazer, levo minha mão direita com a arma até a boca, e finalmente há um silêncio.

Rosi Monteiro