Eu gosto de quando todos estão
dormindo, há um silêncio absoluto, é muito melhor quando não tem ninguém por
perto.
Lembro-me a primeira vez que ouvi
as vozes, eu estava sozinho em casa, cursava o último ano do ensino médio, e
estava pesquisando sobre os cursos de graduação, eu não me encaixava em nenhum,
todos envolviam pessoas, falar com pessoas, escrever sobre pessoas, convencer
pessoas, e eu queria algo que pudesse fazer sozinho, sem ter que pensar em mais
ninguém, e então eu ouvi:
— Você não precisa deles!
Achei que tinha mais alguém em
casa, procurei por todos os cômodos e não encontrei ninguém. Hoje as vozes são
tudo o que eu tenho, elas me compreendem, me apóiam, e me incentivam a seguir
em frente, mas há muito barulho aqui, o que pensam
que estão fazendo com todo esse barulho, as vozes querem silêncio, elas estão
me pedindo para silenciá-los, mas não sei como fazer isso.
— Você precisa silenciá-los!
— Não, eu não posso.
— Afirmo.
— Sim, você pode! — Elas insistem.
— Como vou fazer isso? —
Pergunto.
— Você sabe como!
Eu realmente sei o que fazer, saio
do meu quarto e vou para o quarto do meu pai, eu sei que ele guarda seu
revólver na segunda gaveta do lado direito do guarda roupa. Não está carregada,
mas acesso um vídeo no Youtube que explica exatamente o que preciso fazer.
Exatamente às quinze horas da tarde estou pronto para silenciá-los, as vozes
continuam me motivando.
— Você precisa silenciá-los,
precisa ajudá-los a encontrar o caminho da luz. Nós confiamos em você.
— Eu consigo, eu vou ajudá-los.
Às quinze horas e vinte minutos
estou pronto, passo pelo portão com facilidade sem ninguém para me impedir, as
vozes me dizem para escolher a última sala a esquerda, pois o barulho maior alí, eu posso ouvi-los também, eles precisam de encontrar a luz, eu abro a
porta e atiro…
— Ele tem uma arma!
— Abaixem!
— Socorrooo...minha perna.
— Alguém me ajuda…
— Meu braço, ele atirou no meu
braço.
— A professora caiu!
— Alguém me ajuda….
As vozes continuam reclamando.
— Atire em todos! Você pode fazer
isso, precisa salvá-los.
Há uma mina vermelha no chão, está
alagando a sala toda, estou com medo, com muito medo, tem muito barulho, e não
entendo o que as vozes estão dizendo, tem muito sangue aqui, eu tenho medo de
sangue, há muito barulho lá fora, eu não consigo entender o que as vozes dizem,
ouço barulho de carro de polícia, meu coração dispara, as crianças estão
mortas, eu tenho medo de pessoas mortas, o corredor está vazio, tenho sair
daqui, não consigo me movimentar, minhas pernas não me obedecem, eu matei todas
essas crianças, as vozes não falaram que elas morreriam, meu coração está
disparado, minhas mãos tremem, eu só tenho uma coisa a fazer, levo minha mão
direita com a arma até a boca, e finalmente há um silêncio.
Da próxima vez vou sugerir algo menos trágico. Rsrsrs...
ResponderExcluirFicou ótimo né Ju...beijo!
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