O que realmente importa na sua vida? Eu sempre tive certeza que estava levando a minha vida para onde eu queria, e que isso seria o certo para mim. Estou começando a duvidar disso.
Eu cresci na fazenda, meu pai tomava conta dos negócios do vovô, tive uma adolescência muito complicada, com muitos problemas de saúde, minha mãe queria me proteger de tudo e sofreu muito, eu era rebelde e dei muito trabalho. Meus pais adotaram meu irmão quando eu tinha 10 anos, eles achavam que eu era individualista e precisava aprender a dividir a atenção com alguém, e quando o Tayler chegou eu o amei no primeiro dia, um pirralho de dois anos moreninho de olhos pretos. Depois do ensino médio me mudei para a capital para fazer faculdade e dei um gelo na minha família, eu queria ser independente, ter minha vida e esquecer a rebeldia e os tratamentos que havia passado, eu sei que eles sentem muito a minha falta principalmente o meu irmão e minha mãe, meu pai é mais durão, costumo visitá-los duas ou três vezes por ano. Atualmente eu escrevo uma coluna no jornal e estou matriculada no mestrado em Publicidade. Eu queria esse curso com todas as minhas forças, mas a vida no meio acadêmico é muito complicada, eu terminei as disciplinas do curso no fim do ano passado, estou no meio da dissertação para a conclusão do curso, e essa fase é muito triste e solitária preciso de ler muito, produzir muito também, e sempre que envio para orientação só recebo críticas na devolutiva e nenhum incentivo, estou desmotivada, penso em desistir, mas penso e todo dinheiro que já gastei com isso, e em como vou me sentir daqui uns anos, sempre vou pensar em como teria sido se não tivesse desistido, mas a verdade é que não sei se isso realmente importa. Estou sozinha na capital, apenas alguns poucos colegas de trabalho, e alguns colegas do Mestrado. Eu me sinto deprimida na maior parte dos dias, como se estivesse caindo, sem luz, ninguém para me segurar, não há motivos para sorrir, por mais que todos me dizem que eu tenho tudo, eu não tenho nada, pois me falta o mais importante, os motivos para sorrir, resta apenas uma chama dizendo ‘siga em frente”, estou vivendo em modo automático, quero apenas chorar, chorar e chorar, eu sei que falta alguma coisa, e pensei que seria algo na minha carreira por isso optei por fazer o curso mas agora vejo que não era isso, eu afasto as pessoas, sou grossa, chata e não tolero as falsas idealizações de amizade que existem hoje em dia. Falta-me algo melhor, que possa me deixar realmente feliz. Falta-me um grande amor!
Rosi Monteiro
Lindo e verdadeiro Rosi!
ResponderExcluirSabe, ainda, arrisco a pensar que tem pessoas que diante desses vazios, não consegue reconhecer o que lhes faltam e então apontam para os outros, identificando suas falhas, mas não enxergam a si mesmos. Enfim, me lembrei daquele texto bíblico que diz "Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão" (Mt 7:5 ).
Penso que reconhecer-se é libertador, esse texto nos leva a refletir sobre isso: o que, de fato, me faz feliz e quais são as prioridades da minha vida?
Grande beijo!